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‘Reforma’ da Previdência tem mentiras desmascaradas em livro de Eduardo Fagnani

Título 'Previdência: O debate desonesto', que será lançado no próximo sábado, mostra que objetivo do governo Bolsonaro é destruir a seguridade social
 
Para desmascarar a “reforma” da Previdência, o professor do Instituto de Economia da Universidade de Campinas (Unicamp) Eduardo Fagnani lançou o livro Previdência: O debate desonesto, no último sábado (10). Apesar da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 6/2019 ter sido aprovada nesta terça-feira (6), na Câmara dos Deputados, o economista quer mostrar como as novas regras de aposentadoria “destruirão a seguridade social”, sem atingir os mais ricos. Fagnani explica que o título “debate desonesto” se dá pela mentira do governo Bolsonaro para apresentar a proposta. Segundo ele, o objetivo da reforma não é arrumar a Previdência, mas um projeto ideológico, que passa pela PEC do Teto de Gastos, a reforma trabalhista e a destruição do Sistema Único de Saúde (SUS) e da educação.
 
“O governo não pode revelar que esse é o objetivo (destruir a seguridade social), então oculta fazendo um debate baseado em mitos e no terror econômico. Para implantar um modelo de governo ultraliberal você não pode tratar as questões com racionalidade técnica, por isso cria-se um debate desonesto”, afirma, em entrevista à Rádio Brasil Atual.
 
Além disso, o economista critica como o projeto foi discutido com a sociedade, de maneira pouco democrática e transparente. “A população não é especialista em Previdência e sofre uma lavagem cerebral dos meios de comunicação. Só um ponto de vista foi veiculado. Desde que o governo apresentou seu projeto, em fevereiro, dezenas de especialistas denunciaram a tragédia humanitária que está em curso. Isso deu resultado, pois as medidas mais indecentes foram retiradas do projeto aprovado. Porém, o núcleo excludente da reforma permanece intacto e é preciso que a sociedade reaja”, acrescentou.
 
Segundo Fagnani, o livro é um “ato de desespero” diante da “estúpida imposição de um novo retrocesso no processo civilizatório brasileiro”. Esses passos para trás, de acordo com ele, ainda passam pela reforma tributária que deve entrar em pauta no Congresso Nacional.
 
“O objetivo do governo não é reformar a Previdência é destruir a seguridade social e o modelo de sociedade pactuária de 1988. A seguridade social é o principal mecanismo de redistribuição de renda no Brasil. Agora, eles acabam com esse instrumento. O Brasil é o país mais desigual do mundo, a tributação feita amplia essa desigualdade. Aliás, a reforma tributária que estão discutindo não enfrenta a regressividade, só o consumo. Então, temos um sistema tributário que amplia a desigualdade e o único mecanismo que a reduz é a seguridade social. Em nome de combater os privilégios, destroem a distribuição de renda no Brasil”, critica.
 
No seu livro, o professor de Economia traz alternativas à reforma, evitando que a seguridade social seja desmontada. A primeira, segundo ele, é fortalecer o crescimento da economia, sem precisar cortar despesas. A segunda ideia é colocar os mais ricos dentro da conta da “reforma” da Previdência. “As alternativas passam por você distribuir o ajuste fiscal para as camadas de alta renda, porquê no Brasil você faz um corte, mas todas as ações são para a camada de baixa renda. O andar de cima não está contribuindo.”
 

Fonte: Rede Brasil Atual

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